Com o auditório ainda lotado, a Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) abriu espaço, em sua programação no 90º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), para especialistas debaterem as tendências e os novos produtos na incorporação imobiliária. O segundo painel, na tarde desta quinta-feira (17), também abordou a visão de futuro para a habitação no Brasil.
O CEO da construtora Vitacon, Alexandre Lafer Frankel, falou sobre a necessidade de mudanças e os novos perfis de consumidores. As famílias reduziram de tamanho, aumentou o número de solteiros – estudo da empresa mostra que essa população pode ultrapassar os 50% nas grandes capitais – e as pessoas vivem mais. Para atender às novas demandas, no entanto, é necessário funding, dinheiro para construir. “Precisamos que os bancos entendam a demanda do mercado e tenham a capacidade de financiar para que cheguemos lá”, disse Frankel, referindo-se ao futuro da habitação. A colaboração seria outra mola propulsora para o mercado da construção: “Os ambientes colaborativos estão fazendo espaços mais inteligentes, focados no usuário”.
Frankel também afirmou que gostaria de ver uma fusão mais intensa entre o mercado financeiro e o setor imobiliário, “trabalhando juntos na obtenção de instrumentos mais eficientes, rápidos e efetivos para financiar o setor”.
“O grande desafio é conseguir dinheiro para financiar todas as grandes ideias que estão surgindo. E o sistema financeiro também precisa ser repensado para visualizar e seguir essas novas trilhas”, reforçou o vice-presidente interino de Habitação da Caixa Econômica Federal, Paulo Antunes, que trouxe ao público uma visão de futuro para o mercado imobiliário e para a habitação.
Na última década, a Caixa investiu R$ 900 bilhões na habitação e contratou 10,6 milhões de moradias – sendo 5 milhões apenas no Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV). No entanto, o déficit habitacional não diminuiu, pelo contrário, até aumentou um pouco. A causa apontada por Antunes foi o ônus excessivo, ou seja, as famílias que pagam mais que 30% do seu salário com aluguel. “É difícil pensar em solução de moradia quando se tem 83% população ganhando menos de 3 salários mínimos. Nesse sentido, é necessário imaginar que a solução de moradia para essa faixa de renda passe necessariamente por uma visão de política de governo”, disse.
Ainda para resolver a questão do déficit habitacional, Antunes disse que o Estado e a construção civil devem pensar de forma conjunta para a busca de soluções, como aproveitar os 6,5 milhões de imóveis ociosos em condições de uso. Além de compreender déficit e demanda, outros desafios para o mercado imobiliário são: encontrar novas fontes de recursos tanto para a habitação de mercado quanto para a habitação de interesse social; e investir em inovação e relacionamento, com a descoberta de novos produtos, mercados, formas de construir e contratar.
A moderação do debate ficou a cargo do vice-presidente da CBIC e diretor da Goldsztein Administração e Incorporações, Ricardo Antunes Sessegolo. Esse segundo painel, juntamente com o anterior, compuseram a temática geral do dia, “Informação & Estratégia”, que buscou abordar como montar uma estratégia de novos negócios e o que se esperar do futuro. A programação técnica da CII contou com o apoio do Senai Nacional.
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