OPINIÃO
O Popular
24/072015
A resiliência imobiliária
Ricardo Teixeira*
Capacidade de superar e de se recuperar de adversidades é a atual definição do dicionário da língua portuguesa para a palavra resiliência, que tem sido largamente utilizada pelos especialistas do comportamento humano para definir a capacidade de superação. O termo é, originalmente, empregado pela física. Refere-se à capacidade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação e encaixa-se com perfeição ao mercado imobiliário.
Após vivermos o boom imobiliário em 2011, o setor passou por uma acomodação em seu volume de vendas e de lançamentos. Em alguns Estados, aconteceu excesso de oferta de alguns tipos de imóveis, o que fez com que críticos levantassem a hipótese de bolha, similarmente ao que aconteceu nos Estados Unidos. Mas não era nada disso porque aqui há rigor muito maior nos critérios de liberação de financiamentos.
O mercado imobiliário é, em sua essência, cíclico. Quando o setor percebe que determinado tipo de imóvel está sobrando, automaticamente as incorporadoras param de lançar aquela tipologia por uma simples razão: ninguém quer ficar com produto encalhado. Nesse período, os preços podem até se estabilizar, mas tudo é uma questão de tempo. Passam os meses, o estoque é absorvido pelos consumidores e aquele imóvel, que antes estava sobrando, passa a faltar. Com isso, sua valorização volta novamente a se potencializar.
Dados da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás mostram a força do imóvel mesmo neste momento de adversidade econômica: as vendas do primeiro quadrimestre de 2015 ficaram no mesmo patamar do período similar de 2014, indicando o equilíbrio. Os dados são comprovados na prática. No início do mês (julho), mil lotes de um condomínio horizontal entre Goiânia e Aparecida de Goiânia foram vendidos em questão de horas. Em maio, uma incorporadora distribuiu R$ 50 mil em prêmios para uma equipe de corretores de imóveis por vender mais de 165 apartamentos de um lançamento no Setor Coimbra em apenas 3 meses.
Ou seja, o setor está demonstrando resiliência. Se, por um lado, a dificuldade atual de crédito impede alguns de comprarem, por outro, quem tem capacidade de poupança volta-se para o setor que, historicamente, oferece rentabilidade e segurança patrimonial. Não há investimento mais seguro do que o imóvel, uma vez que ele não está condicionado a especulações voláteis, como acontece no mercado de capitais.
A valorização pode diminuir em alguns momentos, mas jamais estagna. Ao contrário, é contínua e ascendente, vez que está vinculada à ocupação urbana, uma realidade em nosso País.
*Ricardo Teixeira é empresário imobiliário
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