Possíveis alternativas para contornar a escassez de recursos para o crédito habitacional dividem os especialistas. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito e Poupança (Abecip), por exemplo, defende a liberação de parte do depósito compulsório das cadernetas (20% do saldo total) que é recolhido ao Banco Central, além da liberação de uma cota adicional de dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “Estamos vivendo uma dificuldade hoje, com perdas líquidas de mais de R$ 24 bilhões. Como prevemos o desembolso de R$ 100 bilhões em créditos habitacionais este ano, estamos diante da necessidade de mais de R$ 70 bilhões” calcula Octávio Lazzari Jr., presidente da Abecip, que prevê perdas líquidas de R$ 50 bilhões este ano para as cadernetas. Como espera melhora do cenário econômico a partir do segundo semestre de 2016, Lazzari Jr. ressalta que a liberação do compulsório e o eventual uso do FGTS teriam um caráter temporário. Cláudia Eloy, da USP, contudo, não vê necessidade de o governo mudar o compulsório e menos ainda repassar mais dinheiro do FGTS ao SFH. Segundo ela, mais prático seria o reenquadramento dos bancos privados, com a elevação da fatia do dinheiro da poupança que eles hoje destinam ao SFH: “Basta mexer na regulação, alterando os limites dos instrumentos do SFI que podem ser computados no enquadramento do SFH. Se não quiser mudar a regulação, o governo pode fazer um acordo de cavalheiros com os bancos, que aumentariam voluntariamente os repasses ao SFH.” A escassez de recursos da poupança, cuja remuneração é de 6% ao ano mais TR, e a necessidade de recorrer a outras fontes, como as LCI, que pagam juros mais altos, fizeram com que a Caixa elevasse o custo de suas linhas e reduzisse de 80% para 50% o valor máximo de financiamento de imóveis usados. Os bancos privados também elevaram os juros do crédito habitacional. Além de prejudicar quem adquire um imóvel novo, as condições mais restritas afetam quem fechou a compra na planta há menos de dois anos e está recebendo o imóvel agora. De acordo com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), desde meados de 2014, mesmo antes de as condições de financiamento mudarem, houve um aumento do número de distratos — quando o comprador, que vinha pagando prestações durante a obra, desiste de pegar as chaves do imóvel e o devolve à construtora. (Fonte: O Globo)
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