Paralisações no Programa Minha Casa, Minha Vida e de outras obras afetam a construção civil no Nordeste, que tem o mais alto desemprego do País. Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, essa dependência se reflete também na importância do Minha Casa para a sobrevivência do setor no Nordeste. No primeiro semestre, segundo dados do Caged, a construção civil fechou mais de 50 mil empregos em todos os Estados da região. A exceção foi o Ceará, que abriu 53 vagas. No entanto, o Sindicato da Construção no Estado diz que as contratações ocorreram em obras privadas e que houve demissão no Minha Casa. No Nordeste, a maior parte das empresas que presta serviços para o governo dentro do programa habitacional é de pequeno porte, justamente o contingente que tem menor fôlego financeiro para tolerar atrasos em pagamentos. Essa fragilidade financeira faz com que até obras com 90% de conclusão estejam paradas em cidades como Natal e Maceió. Diante das dificuldades, o setor já trabalha com a expectativa de uma redução no ritmo das obras. A expectativa é que os repassem diminuam em 15%, diz José Carlos Martins, presidente da CBIC. Embora o governo afirme que existe um acordo para a solução dos atrasos do Minha Casa, até o fim deste mês, Martins diz que o acerto original previa a regularização dos pagamentos no início de agosto. “Temos essa nova expectativa, mas não sabemos o que vai acontecer”. Em nota, o Ministério das Cidades afirma que a expectativa de liberação de recursos para mais 3 milhões de casas até 2018, que se uniriam às 4 milhões aprovadas até agora, está mantida. Do total já liberado, porém, 42% (ou 1,7 milhão de unidades) não estão prontos. (Fonte: O Estado de S. Paulo/Fernando Scheller)
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