O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou mais atenção da presidente Dilma Rousseff aos problemas no pagamento às empresas parceiras do Minha Casa, Minha Vida, e conversou com a sucessora, no início do ano, sobre os prejuízos eleitorais que qualquer adversidade no programa pode trazer a ela. Lula ouve desde dezembro relatos a respeito do atraso, principalmente no Nordeste, no repasse a pequenas e médias construtoras, responsáveis por empreendimentos da faixa 1 do programa, destinados a famílias com renda mensal de até R$ 1.600. O ex-presidente pediu a Dilma que fique atenta a essa fatia do projeto, direcionada a um eleitorado importante para o PT e que, neste ano, será disputado também pelo ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Dilma, por sua vez, destacou os números do programa, que classifica como "o maior do governo", e fez elogios a Jorge Hereda, presidente da Caixa, que, junto com o Banco do Brasil, é responsável pelos repasses às empresas. Ao lado do Pronatec e do Mais Médicos, o Minha Casa será vitrine da campanha petista e, por isso, diz Lula, demanda atenção especial. Vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, José Carlos Martins disse que recebeu reclamações sobre problemas nos repasses também em Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Sem capital de giro e baixa margem de lucro, pequenas e médias construtoras têm paralisado obras e demitido funcionários, o que, dizem os representantes do setor, desmotiva novos contratos. Após ser procurado para comentar o assunto, o presidente do Sindicato da Construção Civil de São Paulo, Sergio Watanabe, enviou uma carta a Dilma e solicitou a "regularização dos pagamentos em atraso das obras do Minha Casa, Minha Vida". "Tais atrasos estão colocando em risco a solidez financeira de nossas empresas", diz o texto. O presidente do Sindicato da Construção Civil de Minas Gerais, André Campos, diz que empresas têm reclamado sobre atrasos desde o fim de 2013. "A situação é crítica e muito séria porque 95% do programa é fechado com pequenas e médias empresas. Ninguém quer assinar novos contratos com medo de que isso (o atraso) vire rotina", diz. Segundo os representantes do setor da construção, o governo tem feito "sucessivas promessas" de regularização e o último prazo dado foi a primeira semana deste mês. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência diz que a data foi cumprida e que os valores foram quitados. A Caixa e o Banco do Brasil são responsáveis pelos repasses, mas a liberação do dinheiro é feita pela Secretaria do Tesouro Nacional. Em nota, Tesouro e Caixa afirmam que os repasses "estão seguindo a programação normal" e que, até o fim de março, foram transferidos R$ 5,5 bilhões, 7% a mais que no mesmo período de 2013. (Fonte: Folha de S. Paulo/Marina Dias)
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